João Maria era o seu nome,
Vivia da terra seca.
Do mato colhia os cactos
Que cosia em sua ceia.
Das terras dos confins do Nordeste,
Dos confins do Ceará.
Araquém era o seu nome,
E João vivia lá.

Os sinos da igreja batem às 19:00hs. João passa na cidade de Araquém, pois sua mãe pediu para comprar meio metro de fumo de rolo, carne seca, dois quilos de arroz, xarope de ervas e fazer uma oração na igreja para seu irmão mais novo, Moisés, que há dias está com febre alta. Da cidadezinha até sua simples casa são cerca de duas horas a passos largos. João Maria caminha sem cansar. Sempre foi de caminhar por toda a sua vida. Diversas vezes andava durante o dia todo para pegar baldes de água do açude na outra ponta da cidade. Ele e os seus nove irmãos sempre passaram dificuldades, ainda mais quando o seu pai os abandonou. Foi melhor assim, pensava João Maria. Sempre quando bebia batia na mãe e nas crianças se estivessem por perto. Sempre quando a mãe percebia que ele chegava, mandava os filhos se esconderem no mato. Preferia sofrer sozinha; sempre tentou de todas as formas evitar que seus filhos sofressem. Mas Dona Rosalinda, por mais que tentasse evitar, não conseguia fazer seus filhos não saberem o que era fome. A fome que bate o estômago, que chega como uma tempestade, e assim foram por vários dias, por várias noites mal dormidas, tendo que conviver com esse companheiro, que assola tantos irmãos do sertão.
João Maria, dos nove irmão, é o oitavo; todos “cabra-macho”. Paulo e Pedro foram trabalhar na colheita da cana-de-açúcar, no oeste do Pará. Davi, o mais velho, está morando há um ano no Rio de Janeiro. Sempre manda cartas e um dinheiro, todo mês pelos correios. De todos era o mais corajoso. Ele que por diversas vezes tentava proteger a mãe da fúria alcoólica do pai, mas aquele menino era inútil, e as porradas vinham fortes, daquelas que tremiam o corpo e os nervos. João Maria sempre se lembrava da infância, de alguns bons momentos, em que Davi liderava a caminhada para buscar água no açude. Quando alguns irmãos brigavam, ele sempre que apartava, jogando terra em cima deles. Na última carta de Davi, pediam para se manterem unidos, e nada temerem, pois sempre iria ajudar a eles. Dona Rosalinda ficava emocionada e ao mesmo tempo aliviada, pois em toda a sua vida, vivia sem saber o dia de amanhã; o que iriam comer, o que iriam fazer... Graças a São Francisco as coisas iriam melhorar. É o progresso, pensava Dona Rosalinda.
Ezequiel, Samuel e Izaías viviam das cabras e do gado que criavam. Ezequiel, o mais velho depois de Davi, era casado e construiu um barraco de sapê ao lado da casinha da mãe, para acomodar a sua esposa Lourdes, grávida de sete meses. Samuel e Izaías estavam noivos e juntado dinheiro pra construir os seus barracos. Estavam contentes por que também, como seu irmão Ezequiel, iriam constituir uma família, apesar de todas as dificuldades. Tiveram por alguns momentos, vontade de peregrinar para o Sudeste, como o seu irmão Davi, mas suas raízes já estão plantadas nessa terra, e não conseguem imaginar outro mundo em que vivam a não ser esse do sertão, apesar de todas as dificuldades.
Roboão, que era o terceiro mais novo, levava uma vida cafajeste. Às vezes ficava dias sem ir pra casa. Ficava na cidade prestando favores a algum “Doutó”, por alguns trocados ou mesmo por uma boa cachaça. Dormia nas calçadas e já era conhecido por lá, pra angústia de Dona Rosalinda, que não queria isso pra ele. Mas um dia, acredita, ele irá mudar, e se tornará um homem decente, que não se preste a favores pros outros como uma criança.
João Maria, com seus dezoito anos poderia ter vários sonhos, como muitos jovens de sua idade têm; várias metas que muitos jovens traçam, mas em sua alma não existem ambições, não existem metas, não existe amanhãs... A vida o fez viver dessa maneira. Já foram tantas as desgraças que só por estar vivo é uma dádiva. João sabe que um dia irá casar, como seus irmãos, fazer uma família, ter filhos e encerrar seu ciclo. Assim ele vive, e sua mente é uma nuvem de poeira, vazia como as dunas do maranhão.
O caminho é escuro e deserto, mas João caminharia até de olhos fechados por essa estrada. Sabe de todas as pedras e de todos os encalços do caminho. E assim o fez até chegar em sua velha casa. João pede a benção à mãe e entra em casa. A mãe está bastante abatida, o filho piorou e está tendo algumas convulsões. Uma vela permanece acessa na cabeceira do seu leito. Sentado na beira da cama está seu irmão Ezequiel com sua esposa, mais Samuel e Izaías.
- Vamos ter que carregá-lo para o hospital, fala Ezequiel. Ele está ardendo em febre.
- Mas o hospital está fechado. Só vai abrir amanhã às dez horas. Responde Lourdes.
- Do que adianta irmos até lá? Nunca há remédios, nunca há médicos, falta tudo, só não faltam doentes... Diz Samuel.
- Mãe, eu trouxe o xarope que a senhora pediu. Talvez com isso ele melhore. Diz João Maria.
- Obrigado filho, responde sua mãe que pega uma colher para por o xarope na boca de Moisés. Ela senta ao lado de Moisés. – Moisés, acorda! Fala Comigo! Dona Rosalinda balança o corpo de Moisés para acordá-lo. De repente seu filho abre os olhos arregalados, imóveis e estáticos. Todos ficam assustados com aquilo. Dona Rosalinda começa a balançar o corpo de Moisés com mais intensidade. – Moisés, acorda meu filho! Eu lhe trouxe o seu remédio, acorde, por favor. E o desespero da mãe se transforma em um grito que poderia ser ouvido por todo o nordeste. De uma mãe que não tem poder para salvar o filho.
Amanhece, João Maria cava no quintal de sua casa, aquele que será o descanso eterno do corpo de Moisés. Algumas lágrimas descem, sem que João mova um músculo da face. Em sua mente está expresso apenas um sentimento, que por estar tão repleto em seu corpo se esvai através das lágrimas. E assim ele continua cavando os sete palmos. O suor se mistura com as lágrimas, a terra recebe líquido que há muito não via. Dentro de sua casa estão todos consternados. Lourdes tenta consolar Rosalinda que chora sem parar.
- Meu filho mais novo... Isso não podia acontecer... Oh meu Deus! E assim se tornou por toda a noite, se tornou durante e após o sepultamento do seu filho. Em sua cova foi fincada uma cruz. Uma cruz bem simples, daquela que seria um grande homem e que teve sua vida interrompida.
O céu está todo azul, um calor incessante, sem trégua. Parece que o sol ficou mais laranja naquele dia. João Maria fica com os olhares distantes, o seu irmãozinho, que por muitas vezes carregava nas costas quando iam pelas andanças. Eles eram os mais apegados um ao outro, e todos percebem isso. Quando iam pra cidade vender o leite das cabras sempre compravam doce de amendoim com o dinheiro de algumas gorjetas. Aquilo para eles era tudo que o mundo podia oferecer de melhor, e eles sempre foram companheiros e confidentes das peripécias da infância. Mas tudo acabou naquele instante.
Dona Rosalinda continua inconsolável, e é de se compreender. As mães sempre criam um xodó pelo filho caçula, e talvez havia muita coisa que Moisés devesse aprender. Lourdes e Ezequiel vão para o seu barraco. Samuel e Izaías caminham para a cidade para buscar alguns pagamentos da última entrega do leite. João Maria fica só com sua mãe Rosalinda e de uma certa forma tenta consolá-la. Às vezes um gesto vale mais que mil palavras e João Maria abraça forte contra o peito para sentir que não está só.
Anoitece. Sua mãe cozinha o arroz com feijão e carne-seca. Lourdes e Ezequiel também jantam na casa de Dona Rosalinda. Seus irmãos retornam da cidade furiosos, falando desaforos sem parar. Dona Rosalinda se levanta e vai para a porta vê-los chegar.
- O que há meus filhos? O que há?
- Que desgraça mãe. Seu Joaquim da venda se negou a pagar o leite que entregamos. Disse que estava estragado e iria chamar a polícia se insistíssemos. Diz Samuel.
- Mas meu filho, não se irrite por isso. E só não vender mais para ele.
- Mas do jeito que seu Joaquim é, vai falar pra toda a cidade que a gente vende leite estragado, e aí iremos vender pra quem? E o pior é que a esse dinheiro iria servir para compra a ração dos animais e os mantimentos. Replica Samuel.
- Nós não somos nada nesse mundo, desabafa Izaías.
Dona Rosalinda tenta manter a calma, mas põe as mãos sobre a face, olha pro céu e pede animo para acalmar os filhos.
- Meus filhos, tenham bom animo. Eu acabei de perder o irmão de vocês, se não nos mantermos unidos eu não sei o que será de mim.
- Eu sei minha mãe, me perdoa. Eu só estava desabafando, responde Samuel.
- Vocês viram seu irmão Roboão? Pergunta a mãe aos filhos.
- Eu perguntei a um dos companheiros que encontrei e ele me disse ele que Roboão estava trabalhando para o filho do prefeito na construção da casa nova dele, lá pra rua três. Eu pensei em ir até lá, mas depois desisti. Estava tão chateado com o Seu Joaquim que só pensava em voltar pra casa, responde Samuel. A propósito, eu passei no correio e peguei essa carta de Davi. Eu abri, mas não tinha dinheiro, só tinha esse papel, e entrega a carta a Lourdes. Na casa a única que sabe ler e Lourdes, que pega prontamente o papel e se põe a ler. Seu olhar penetrante no que lê, pela dificuldade de encontrar as palavras, pelo assunto delicado ao qual lê, deixa todos um pouco apreensivos. Ao terminar de ler todos esperam uma explicação;
- E então, o que ele diz? Pergunta Ezequiel.
- O Davi disse nessa carta que ele ficou desempregado. O pior é que como não assinavam carteira, não quiseram pagar nenhum valor e ele está quase sem dinheiro. Ele pediu que tivessem calma até que conseguisse outro emprego. Dona Rosalinda ouve aquilo tudo com as suas mãos calejadas atadas em forma de prece. Os olhos marejados e a expressão de tristeza. João Maria se retira da casa pra olhar o céu. O clima ficara pesado e o coração de João Maria também.
- São Francisco, interceda por nós.
Decorrem-se três meses. A seca que passam é umas das mais avassaladoras que já enfrentaram. Não há comida e ninguém quer vender mais fiado pra família de Dona Rosalinda. João Maria com os irmãos colhem as palmas que encontram pelas proximidades, a única planta que resiste em meio a uma seca tão arrebatadora. Todos comem, aquela planta amarga, procurando mastigar o menos possível, mas até as palmas estão se tornando difíceis de encontrar, e o desespero aumenta cada dia mais e mais. O neném de Lourdes chora o dia todo e isso se torna motivo de irritação para os demais irmãos de Ezequiel, inclusive João Maria. Todos acabam ficando com os nervos à flor da pele e acabam desabafando suas amarguras em cima do garotinho, para angústia de Lourdes. Ezequiel tenta pedir calma aos irmãos, muitas vezes em vão. Nem os animais conseguem ingerir a Palma, e muitos já morreram. Ezequiel, Samuel e Izaías vão para a cidade vender os animais que ainda estão vivos. Temem que não consigam chegar à cidade, mas enfim, todos que levaram foram vendidos por um preço irrisório. Eles preferiram se desfazer daqueles animais a tempo, mesmo os vendendo quase de graça do que vê-los morrerem aos poucos. O dinheiro daria para alguns dias de mantimentos, mas e depois? Todas as economias que lutaram durante anos estavam naqueles animais, e não havia mais outra forma de sustento. A palma já era um alimento difícil de se encontrar e ainda não havia nenhuma notícia de um novo emprego para Davi.
- Chegou essa carta de Davi. Fala Ezequiel passando para Lourdes a carta. Ela abre e novamente se põe a ler. Da leitura da carta surge um sorriso que cinge os presentes de esperança.
- Davi conseguiu um emprego! Fala Lourdes alegre.
- Graças ao meu bondoso Deus, muito obrigada Deus, pela graça concedida, fala Dona Rosalinda ajoelhada e erguendo as mãos pro céu. Todos os irmãos ficam contentes com a notícia.
- O Davi mandou avisar que está trabalhando em um supermercado e que o gerente perguntou se ele conhecia alguém que estivesse precisando de emprego. Ele pensou se de repente alguém quisesse trabalhar lá. Nesse momento todos olharam um para o outro sem saber o que responder da notícia.
- Eu vou mãe! Fala João Maria que está escorado na porta da entrada da casa.
- Filho...
- É melhor que eu vá. As coisas por aqui estão muito difíceis, não quero ficar dependendo do Davi pra sempre.
- Eu sei João, e eu concordo com você. Eu não tenho o porquê de segurar você, por que aqui não há nada pra oferecer.
- João, se você quiser ir a gente compra a passagem. Fala Ezequiel segurando as notas da venda dos animais. – Ainda sobrará um pouco pra comprarmos comida por algum tempo.
- Obrigado irmão. Não irei desapontar vocês. Todos abraçam João e ele já começa os preparativos para a viagem. Dona Rosalinda abraça o filho e o olha. Já está um rapaz feito, aquele que até pouco tempo era um menino serelepe que corria ao redor da casa brincando com os cabritos. Queria ela ter todos os filhos ao seu redor, como a galinha que protege com suas asas os pintinhos da chuva, mas sabia ela que era impossível tê-los por perto com tamanha dificuldade, e Dona Rosalinda olha para ele como já se fosse a despedida.
João Maria arruma todos os apetrechos para a sua viagem. Por um lado está ansioso e por outro apreensivo. Talvez do fundo do coração não gostaria de fazer essa viagem, mas não existe alternativa. O sertão não oferece chances para sobreviverem. Seus irmãos Paulo e Pedro se submetem a um trabalho escravo em uma lavoura no estado do Pará, e quanto mais trabalham, maior é a divida que tem com os patrões. A única solução era o Sudeste, que via nesse momento como um eldorado. As vezes quando via tv na casa de uns vizinhos, viam aqueles programas de auditório com pessoas arrumadas, bonitas, com bastante dinheiro e fartura. Imaginava que poderia estar assim dentro de poucos meses, e finalmente poderia dar uma situação digna para a sua mãe e toda a família. O dia anoitece e João Maria olha pela última vez o pôr-do-sol do sertão.
O vigoroso sol forte como as pessoas dessa terra. João Maria leva as mãos aos olhos como se quisesse chorar. Aquele sol que tantas vezes presenciou momentos de alegrias, tristezas e dificuldades. Agora se afastaria daquele sol. João Maria entra para ajudar a mãe a escolher o feijão. Estão todos alegres, pois o dinheiro das cabras deu para comprar alguns alimentos que não comiam há tempos.
O dia amanhece, o céu em um azul piscina infinito. João Maria já está arrumado. Seu irmão Samuel irá acompanhá-lo para comprar as passagens. Sua mãe preparou café e um bolo de fubá caprichado com o aroma de erva-doce para que João Maria coma com bastante gosto. Ela também fez outro tabuleiro para João comer durante a viagem. Dona Rosalinda se conforma de que a viagem será boa pro seu filho, assim ele poderá crescer na vida e viver o progresso de que os políticos tanto pregam. João Maria pega a sua bolsa de viagem, com algumas simples mudas de roupa, pente, imagem de São Francisco e outros apetrechos. Todos acompanham João Maria até o portão e ele faz questão de se despedir de cada um aos abraços, beijos e lágrimas.
- Filho, nunca se esqueça que sua mãe estará sempre aqui rezando por ti.
- Sim minha mãe, a benção.
- Deus te abençoe meu filho. João Maria caminha para a cidade com o seu irmão Samuel. Sempre entre uma curva e outra da deserta estrada era possível, ao olhar pra trás, ver os seus familiares do portão o observando. E cada vez que olhava pra trás via uma pessoa a menos, de forma que da última vez que olhou, só restava a sua mãe, naquele seu corpo fragilizado pelas lutas e pela idade, com as mãos atadas uma a outra, em forma de prece. E foi assim até que a última curva não fosse mais possível vê-la mais. Uma lágrima desceu do rosto de João Maria.
João Maria enquanto caminha tenta imaginar como seria essa cidade que só conhece da tv e de alguma revistas.
- E então irmão, pensando como serão as novidades da cidade? Pergunta Samuel. João Maria para um pouco pra pensar.
- Eu imagino muita gente, muitas pessoas, casas grandes, muita comida, bastante dinheiro, pessoas bonitas. Eu acho que o sol de lá deve ser diferente que o daqui. Por que o sol daqui e tão tranqüilo, nunca pede chuva e sempre está sozinho, sem nuvens. Eu acho que as pessoas devem ser diferentes lá por causa do sol. Samuel dá um ligeiro sorriso.
- As pessoas são diferentes lá por que existe o progresso.
- E o que é o progresso? Pergunta João Maria.
- O progresso? Bem... é algo que não existe aqui. João Maria caminha mais um pouco e torna a falar;
- Samuel, será que eles não vão me achar estranho na cidade deles?
- Claro que não João. Eles sempre precisam de pessoas para trabalhar na cidade. É por isso que eles pagam bem. Soube de um compadre que não ficou nem dois anos lá e já tinha comprado casa, terreno e tudo que tinha direito. João Maria ao ouvir aquilo ficou entusiasmado. Imaginava que assim que trabalhasse iria ganhar muito dinheiro, e poderia chamar toda a sua família para morar com ele, e assim poderia oferecer a vida que sua mãe sempre mereceu.
Os dois chegam na estação de ônibus, que irá partir em cerca de meia hora. Samuel pega a passagem e entrega para João.
- Está aqui a passagem João. Já avisei a Davi que você está a caminho.
- Obrigado Samuel.
- João, acreditamos em você. Não se esqueça que você já é um homem e isso existe responsabilidades. Agora vá que o ônibus já irá partir. João Maria abraça seu irmão e adentra o ônibus. Escolhe um lugar na janela, para que ainda possa se despedir do seu irmão pela última vez. O ônibus dá a partida e os dois se despedem como duas crianças.
- Mande lembranças ao Davi, grita Samuel.
- Cuidem bem da mamãe, grita João do ônibus. O ônibus faz a curva e segue viagem. João fecha a janela para a poeira da estrada não entrar. A partir dali já não conhece mais nada. João observa admirado a paisagem. Vê a sublime visão mudar aos seus mais nobres tons. Do marrom para o verde e do verde para o cinza, conforme vai se aproximando da cidade.

E lá se foi João Maria
Mais uma ave do sertão
Somente o que quer na vida
E poder comer seu Pão
Das terras dos confins do Nordeste,
dos confins do Ceará.
Aonde o sol e tão forte
Quanto esse povo de lá.