sábado, 22 de agosto de 2009

Sob o céu de Saturno

Se você pudesse voltar ao tempo você mudaria alguma atitude que tivesse feito? Faria algo ou deixaria de fazer?


John está deitado sobre sua cama, olhando para o teto, as estrelas, objetos espaciais fluorescentes que sua mãe botara quando era bebê. Eles ainda estão lá, mesmo passados 22 anos de incertezas e crises de identidade. Pega um vinho debaixo da cama, abre e se esquenta com alguns goles dessa bebida boa e barata que se viciou desde os 14, quando saia com amigos nas festas de rock, nas casas Noturnas do Rio de Janeiro, com os melhores shows de Rock que poderia assistir.

Ele sempre fazia o que queria, mas porque estava assim? Entrar na faculdade foi uma consequência de um ciclo natural, que todos fazem. Mas a sua nova oportunidade, que embora fosse bastante disputada por outros candidatos, não o deixava contente. Era muita papelada, sempre tinha que reportar aos mesmos sujeitos que o olhavam com desdém e as vezes até com certa ironia. Estava se sentido sufocado, preso a um futuro que não queria dar sequência.

- Por que não continuei na carreira de música? Pensava ele, e assim podia requintar seus rifes de guitarra, perpassar as notas das letras, sair pelos cantões, conhecer mulheres, bebidas... Rock'n Roll!

Seus olhos vão se fechando em um sono inesperado. Gostaria ele de se emergir no sono e fugir da realidade, pelo menos pelos próximos 457 anos! Ele está caminhando em uma esteira rolante, que mais parece levar pra lugar algum. Ao final, vê algumas formas cintilantes, um céu abobado, com imagens pueris e infantis. As estrelas são enormes e a lua sorri olhando para ele.

- Olá meu nobre amigo! John rapidamente se vira para trás, pra saber de onde surge aquela voz.
- Quem é você?
- Prazer, pode me chamar de Woodstock! Eu vim lá do "Iê Iê Iê" para ter um papo contigo.
- Co-co mo assim?
- Vamos por partes... Você está infeliz, não está? Vejo isso em sua feição.
- Bom, isso é verdade... estou sentindo um vazio. Não sei se devo me conformar com isso.
- Na verdade muitos sentem isso. Muitos têm esse vazio e se conformam. Talvez seja o mal da humanidade. Fala Woodstock, asseverando as últimas palavras, com sua mão sobre o queixo em pose filosófica. - Mas você... fala isso virando-se e apontando para John, - Você meu nobre amigo, não precisa passar por isso. Você tem o Rock em suas veias e o seu caminho não deve ser o mesmo que os soldados capitalistas.
- Que papo maluco é esse?
- Você não quer acreditar em mim? Saiba que essa pode ser a oportunidade de você mudar a sua vida!
- Mas como? O que você pode fazer pra tirar esse vazio de mim?
- Caro John, você é um rapaz admirável. Mas certamente fez algumas escolhas erradas em momentos decisivos. Eu quero dar a oportunidade de você voltar ao tempo e poder refletir sobre suas escolhas.
John estava pensativo. Não acreditava de onde poderia ter surgido àquela imagem de um sujeito que mais parecia ter saído das festas hippies americanas dos anos 70, para falar com ele naquele momento.
- Tudo bem, isso é um sonho. Vou me concentrar e logo acordarei e estarei livre dessa palhaçada.
- Você pode fazer isso John, mas irá perder uma grande oportunidade que lhe concedo. Bono Vox e Axl Rose souberam aproveitar esse momento. Tudo bem, esse último engordou uns quilos ultimamente. Mas o que quero dizer é que você pode ser aquilo que sempre sonhou.

Woodstock abre imagens holográficas entre os dois, com imagens de John quando criança.
- Vê, esse aqui é você! John não acredita! Seus pais mais novos dando banho nele quando criança. Seus avôs e tios na festa de primeiro ano. Por mais que fosse um sonho, não poderia criar imagens tão perfeitas e com diferença de época, estampada na face de cada familiar. - E então John... o que me diz?
- Sim, eu quero voltar!
- Ok, vamos voltar ao tempo. Somente quero lembrar que dentro de cada momento que queira voltar, você não irá lembrar do futuro que até aqui viveu e terá que arcar com todas as consequências da sua escolha.
- Tudo bem! Eu assumo o risco.

Sua vida vai regredindo através de um filme. Dentro dessa regressão, Woodstock vai mostrando as várias ramificações que sua vida tomou, de acordo com a escolha, e com a escolha das escolhas, e assim por diante.
- Vê, essa é a Letícia, lembra dela?
- Claro, ela era linda.
- Já fazem dois anos que você quis terminar com ela por achar que ela havia traído você.
- Sim, é verdade. Mas as vezes me arrependo por isso.
- Eu sei que se arrepende. No fundo você não quis terminar, mas você se deixou influenciar muito pela opinião dos outros... e quer saber? Ela nunca lhe traiu.
- Não?
- Exatamente. E se tivessem juntos agora, estariam muito felizes. Mas esse é um passado que não se pode mais voltar. Uma vez revelado não se pode entrar.
- Tudo bem, diz John com os olhos marejados. Sei que ela agora está feliz com outro, acho até que já teve um filho. Não me sentiria bem se interferisse na vida dela dessa maneira. Woodstock dá um sorriso cético.
- Vamos voltar! Woodstock vai voltando a "fita"! Perde-se noção do tempo. O espaço rompe as fórmulas físicas. Muitas cenas alegres, outras nem tanto e John vai relembrando e admirando o seu mundo sob seus olhos.

- Espere! Diz John
- O que foi?
- Esse é o momento que tive que decidir entre fazer Economia ou Arquitetura.
- Dois cursos bastante diferentes, diga-se de passagem, comentou Woodstock.
- Sempre quis Arquitetura, mas meus pais queriam que eu tentasse Economia.
- E acabou passando nas duas...
- Pois é... as vezes penso como seria se eu tentasse Arquitetura. Acho que tem mais a ver comigo.
- Bom, se é isso que diz... quer arriscar? John pensou um pouco mais. Seria interessante voltar ao tempo e fazer Arquitetura?
- Ah não sei... acho melhor não... acho que meus problemas estão mais atrás.
- Ok "amo". Vamos regredir. Não quero ser estraga prazeres, mas você seria um grande arquiteto, inclusive trabalhando em grandes projetos no Oriente Médio logo que terminasse a faculdade.
- Puta que pariu, pensou John.
- Vamos voltar!

Woodstock volta cada vez mais sua vida, e é possível para John, perceber que as ramificações vão deixando de existir. Ele toma ciência, que a cada dia, a cada minuto, cada segundo, estamos a pequenos passos de mudarmos grandiosamente nossas vidas. Talvez ele tenha errado coisas atrás que não condissessem com o que realmente gostaria de ser. Queria voltar a sorrir, como nos tempos da adolescência, em que fazia tudo o que queria. Esse espírito não era muito condizente com os tempos habituais, com as roupas sociais e com os horários e tarefas e serem cumpridas. Não queria deixar de ser adulto, mas queria resgatar aquele espírito de rebeldia que estava sufocado na garganta, apertado pelo nó da gravata.

- John, John...
- Eu!
- Esta perdendo a passagem de sua vida... quer voltar desde quando era um esperma?
- Não, desculpe... eu estava distraído.
- Ok, irei passar mais devagar.
- Certo.
Os dois foram revendo e rindo de algumas situações vividas, umas até que fizeram John escapar de grandes apuros, ao qual Woodstock fez questão de citar.
- Lembra desse dia John? Esse foi o dia que você quis terminar com a banda para estudar pro Vestibular.
- Lembro sim! Até hoje fico com essas palavras na minha cabeça.
- Pois é John, você tinha potencial... e não digo isso da boca pra fora. Seus amigos, todos, sentiram com a sua saída. Eles tentaram por mais algum tempo seguir com a banda, mas você era a referência pra eles, você era o líder. A sua decisão não repercutiu apenas na sua vida, mas nas deles também, por que cada um acabou se desprendendo do meio musical.
- Não sabia que eu era tão importante assim pra eles.
- As vezes somos tão importante para os outros que nem nos damos conta do valor da nossa existência! John dá um suave riso. Está em êxtase na possibilidade de poder voltar ao tempo, rememorar sentimentos que mais pareciam ter sido enterrados.
- Woodstock, eu quero voltar! Na decisão de John, Woodstock dá um farto sorriso e bate no ombro de John.
- É assim que se fala "my man". Sempre soube que você ainda era um dos meus.
- Mas e agora? O que vai acontecer comigo?
- Nada! Você vai acordar como se nada que tivesse vivido depois dessa data houvesse acontecido. Em sua mente não vai pesar a decisão de sair da banda, mas tudo que fizer após será consequência sua, e espero que faça as decisões certas.
- Tenho certeza que agora irei fazer Woodstock. Obrigado pela oportunidade.
- Me pague com boas melodias. O mundo precisa ouvir!

Um brilho surge ao fundo do céu e o mundo pareceu cair. Sob o piscar dos olhos, ele acorda, na sua cama, no seu quarto... olha em volta, atônito... parece ter uma amnésia, breve confusão que vai se dissipando aos poucos. Vê a guitarra no canto do quarto, as letras na mesa, do qual no futuro estavam engavetadas. Sua mente vai novamente injetando a adrenalina que um dia havia cessado. O telefone toca e ele atende. É o Karl.
- E aí John, tudo bem?
- Fala Karl, tudo na paz!
- Confirmado o ensaio hoje? John olha para o calendário na parede. Era sagrado sempre ensaiarem as terças e quintas e as vezes, no Domingo, quando os pais do Bob não estavam em casa.
- Claro, nos vemos às sete.
- Beleza. John olha pro relógio, já são quatro e meia. Antes vai passar na casa da Letícia, pois haviam combinado de terminar o trabalho de história sobre a segunda guerra mundial. Tinha comprado dois ingressos para o show do Red Hot Chilli Peppers no Brasil, na esperança de que ela aceitasse também.

As sete e quinze John chega no estúdio. Todos já estão quase prontos pra começar.
- Porra John, de novo atrasado. Nós temos hora, meu dinheiro não é capim!
- Foi mau Bob, é que eu passei na casa da Letícia.
- Aê garoto! E então, quando vai dar uns pegas nela? Perguntou o Karl.
- Não é nada disso Karl, fui apenas entregar o trabalho do colégio. Mas finalmente ela aceitou meu convite pra sair comigo.
- Que isso hein rapaz? Mandou benzão agora. Estou até impressionado contigo, retrucou Karl.
- Pessoal, enquanto vocês conversam o tempo passa. Falou Dino mais ao fundo.
- Tudo bem, estou quase pronto. John liga a guitarra no amplificador, faz rápidas afinações e em instantes já estão ensaiando entre covers do Pearl Jam, Creed, Nirvana e Silver Chair, além de músicas próprias.

Passadas duas horas, os dedos já estavam cheios de bolhas, mas estavam animados, pois conseguiram bons resultados e melhoraram suas performances.
- Pessoal, eu tenho uma ótima notícia pra vocês. Disse Dino.
- O que há? Perguntou John enquanto pegava uma garrafa de água na geladeira.
- Vamos tocar no Festival de Rock, na cidade de São Gonçalo. E eles vão dar cachê. Disse Dino aos risos.
- Nossa, vão pagar pra gente tocar? Estamos melhorando nossa reputação. Já estava satisfeito em pagar a gente só com bebidas.
- Estamos no caminho certo. Agora é mandar um cd demo pra alguma boa gravadora pra que eles vejam nosso potencial. Disse Bob.
- É galera, o lance está indo bem! Tenho certeza de que iremos fazer sucesso. Complementou Karl.
- E como iremos até lá? Podemos ir no meu carro ou de ônibus. Disse Dino. Nesse instante passou um flash na mente de John. O simples fato de ter que decidir sobre uma das escolhas, uma decisão que poderia mudar a vida de todos. Certamente não imaginamos o peso dessas decisões, mas naquela hora, John parecia estar sobre uma dúvida cruel e difícil, que parecia querer consumir a ele todo. John estava pronto pra falar quando...
- Podemos ir no seu carro, Dino, disse Karl.
- Eu também acho. Vai ser melhor pra guardar nossos instrumentos, falou Bob.
- Galera, eu acho melhor irmos de ônibus. Não conhecemos o local direito...
- Deixa disso John. Na Kombi cabe todos nós, numa boa. Não terá problemas de espaço e eu já conheço aquele local de outros festivais.
- Mas mesmo assim, acho que seria melhor irmos de buzão.
- Relaxa John, completou Karl. E depois, pra onde vai querer levar as garotas que catar na festa? Vai pagar Motel? Todos caem nos risos, enquanto John dá alguns goles em sua água.
- Bom, sábado nos vemos as quatro da tarde na minha casa. Vamos detonar, exclamou Dino.
- Yeah!

Todos começam a se arrumar. John guarda cuidadosamente sua guitarra. No final, acaba levando em conta que a idéia de irem na Kombi do Dino seria a melhor. Estava contente com os rumos que iria seguindo a banda. Iria terminar umas composições que havia feito, depois pensaria em algum desenho para as camisas que poderia vender da banda no festival. Pensava em conhecer pessoas novas, ganhar influência, repercussão. Estava dedicando todo seu tempo livre nesse projeto e estava muito entusiasmado com o futuro que os estaria reservando, como se alguém desse um sopro no seu destino, mostrando pra eles o caminho a seguir.

O sábado se anuncia, pelo sol que emana por entre as montanhas da Zona Norte carioca. John toma seu café e arruma seu instrumento como em um ritual. Olha as cordas, os trastes, cuidadosamente. Ao mesmo tempo em que sente um entusiasmo por estar com os amigos na banda, tocando e mostrando seu show para outras pessoas, sente um vazio difícil de explicar, que parecer se incorporar nele como um abraço, frio e inexplicável.

As horas vão avançado John chega na casa do Dino, que está arrumando os pratos da bateria dentro da Kombi.
- Venha John, vem ajude a tirar esse banco para termos mais espaço para guardar os instrumentos. John rapidamente chega para ajudar o Dino. - Que foi rapaz? Se sente bem?
- Não sei... acordei meio estranho hoje. Não saberia explicar como.
- Relaxa brother... fuma uma erva que você vai ficar logo no clima.
- Já disse que eu não quero isso.
- Fica tranquilo. Isso é uma decisão sua. Ninguém vai te obrigar a nada.

Karl e Bob chegam com seus instrumentos. Agora a banda estava completa. Começavam a aparecer algumas nuvens no céu, mas nada que pudesse impedir deles tocarem. Com tudo arrumado, era hora de partir. Seguem eles pelas ruas da Zona Norte em direção a ponte Rio-Niterói. Todos falam alto e com o rádio no último volume. Entre uma conversa e outra, Dino pega uma caixa que está dentro do porta-luvas. Joga para Bob, que está sentando atrás. Ele abre e sente o forte cheiro da erva. Vários cigarros de maconha para relaxarem antes, durante e depois da apresentação. John olha meio de lado, nunca teve interesse nem se mostrou disposto para fumar com os amigos e nem mesmo sabia de onde tirava tanta convicção já que a maioria dos seus amigos era usuário moderado à viciado em drogas. Bob acende um cigarro e a fumaça começa a enevoar dentro da Kombi. Rapidamente a caixa é passada para o Bob que está no banco da frente. Ele acende o dele e o do Dino, que contribuem para aumentar a densidade de fumaça dentro do carro.
- John, não vai experimentar uma? Diz Bob com a sua acessa.
- Filhotes, eu já falei pra vocês...
- Cara, sua mamãe não tá aqui. Larga a mão, você não vai ser um Kurt Cobain se fumar essa porra? Todos começam a brincar com John a respeito de experimentar a maconha, fazendo coro: "Fuma, fuma, fuma..."
- Tá bom, me dá essa porra aqui! Disse John com um tom decisivo. Todos começam a fazer coro, enquanto Bob passa a caixa com os cigarros. John pega uma e sem titubear amassa, acende e traga a maconha. Ele fecha os olhos com força e logo solta a fumaça com uma sensação de alívio. Todos começam a gritar e a comemorar.
- No início é complicado mesmo. Depois seu organismo acostuma e fica bem legal, disse Karl.
- Só acho melhor não continuarmos mais pra não comprometermos o show.
- Não tem o que se preocupar John, disse Dino enquanto se virava pra olhar pra ele. Sempre quando eu fumo, sinto uma sensação de...
- Olha a frente, gritou John a Dino. Dino se virou, mas já era tarde. Sua Kombi havia batido com força no lado direito em um caminhão que estava mal acostado, com um pneu furado, aguardando ajuda e sem nenhum tipo de sinalização. O ônibus que estava a sua frente, talvez tenha impedido a visualização, mas a imprudência e a falta de atenção também colaboraram para que ocorresse o acidente.

Dino tentou virar o volante ao máximo para a esquerda, mas o impacto fora impossível de ser evitado. A Kombi começou a capotar no meio da pista, atravessando as faixas. Objetos de dentro do carro começaram a ser arremessados para fora, dentre eles o corpo de Dino, depois o de Bob. A Kombi jaz um automóvel e agora um monte de retalhos de metal retorcido. Bate na mureta do meio, atravessa novamente a pista e vai de encontro à mureta extrema. John sofreu várias fraturas, está banhando a sangue e mesmo sentido muita dor ainda se sente lúcido em seus últimos momentos de vida. De repente ele relembra da vida dele, que há alguns anos à frente ele decidiu voltar para começar a banda. E recomeçou... recomeçaria. Sob as lágrimas, que se misturam ao suor e as poças de sangue, John dá um último sorriso de ironia à vida.
- Eu tentei...

Quando Jonh acorda, está suando frio. Olha seu relógio e são 2 horas da manhã. Havia chegado da faculdade cansado e decidira dormir. Teve um pesadelo, tão real que suas mãos pareciam estar trêmulas. Sabia que sua vida talvez não estivesse como desejasse, mas viu que não deveria ser ingrato. A vida lhe cercara de boas coisas e talvez ele ainda não tenha percebido. Viu tudo que conquistou e tudo o que haveria de conquistar. Os desejos do passado ficaram como boas lembranças, mas fazem parte do passado e ele aprendeu que cada fase na vida deve ser vivida. Talvez um dia, ele retome seu talento musical, mas viu que pra ele, naquele momento, existiam outras prioridades.

Prometeu que iria ligar pros amigos da antiga banda, saber como estavam, marcar de sair pra conversar. Programou seu final de semana e esperou tão logo chegasse a segunda para por as pendências em dia dos seus compromissos e saber valorizar cada momento. Pegou a toalha para tomar banho, mas antes disso havia pensado: "e seu fosse arquiteto?". E com esse pensamento ele foi tomar sua ducha...

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