sábado, 22 de dezembro de 2007

A bebida


Era a festa de despedida do meu amigo Jonas. Lá encontrei vários amigos e pude rever alguns que há tempos não os via. Saudades enterradas...

Vi também ela, a Suzane, por qual eu tive um grande "affair love", mas que havia ficado muita coisa mal resolvida entre nós. Pouco tempo se passou e ela continuava linda. Decidi que ali seria o momento certo para pormos um ponto final no que deixamos indefinido.

Estava me concentrando em alguns petiscos e bebidas. Conversas com conhecidos e trocas de telefone. Ela olhava para mim entre um papo e outro e eu de longe retribuia o seu olhar. A eminência do que mais desejava estaria para acontecer, mais cedo ou mais tarde... quando de repente alguém chegou até a mim. Era o Renato.

- Oi Jorge, tudo bem contigo?
- Tudo bem Renato, respondi eu.
- Que festa boa né? Vem cá, me diz uma coisa!
- Pode falar.
- Você e a Suzane... por acaso, vocês estão juntos ainda ou já terminaram tudo?

Naquele momento algo me aconteceu. Como se o meu cerébro congelasse e deixasse de funcionar. Apesar de saber por qual motivo ele gostaria de saber sobre nós, eu não saberia dizer o nosso caso. Afinal, estavamos separados, mas eu tinha intenção de reatar. Mas e se não reatasse? Se ela negasse se eu dissese que estávamos juntos? Não tinha intimidade para dizer meus reais motivos com a Suzane para o Renato e na verdade eu nem gostava muito dele como pessoa.

- Renato, acho que você tanto quanto eu sabe que nós estamos separados.
- É eu sei disso... eu só queria confirmar pra não dar galho, né?
- Como? Perguntei eu estupefato.
- Não leve a mal Jorge, a Suzane não é garota de ficar sozinha por muito tempo.

Encarei o Renato por alguns segundos e saí dali sem dizer mais nada antes que o esganasse com minhas próprias mãos. Fui ao banheiro urinar e verificar meu penteado. Quando volto vejo o desgraçado do Renato conversando com a Suzane e mais duas amigas. Meu coração palpitou forte, minha jugular parecia tremer de tanta intensidade. Pensei em ir até lá e me por no meio daquele patife e assim duelarmos pelo amor dela. Quando finalmente tomo a coragem em ir me aparece no caminho o Jonas:

- Jorge, quero te mostrar os jogos para PS3 que comprei na minha última viagem.
- É mesmo, e aonde foi Jonas?
- No Saara!

Rimos juntos. O Jonas tinha essa espirituosidade de nos arrancar um sorriso mesmo nos momentos mais difíceis. Fui com ele até seu quarto e ele me mostrou alguns jogos que havia conseguido por uma bagatela. Voltei e minha tensão tornou-se a acontecer. Renato já conversava sozinho com a Suzane, sem as amigas dela. Deslizava seus dedos pelo ombro dela se aproveitando da doçura que ela tinha em retribuir elogios com um ingênuo sorriso.

Dessa vez peguei outra bebida e sentei-me no sofá sozinho e com o pensamento distante. Imaginava que se realmente ela gostasse de mim, não iria dar "papo" para aquele sujeito e deixaria o sinal verde para que me aproximasse dela. As horas foram se passando e algumas pessoas foram se despedindo do Jonas e indo embora. Já era madrugada e fiquei muito tempo praticamente sozinho na festa, como um estranho... Quando virei-me para aonde a Suzane se encontrava, não a vi mais. Procurei pelo corredor, pelo quintal e pelo jardim e também não os avistei. Senti um nó na garganta, uma sensação de aflição. Algo como a criança quando se perde de seus pais no Shopping. Estava assim, perdido...

Algumas semanas se passaram e soube o que talvez já suspeitava. A Suzane e o Renato estavam juntos e pareciam que estavam muito felizes. Diziam as más linguas, que viajavam juntos, iam para a praia, para festas e andavam sempre abraçados. Eu considerava o Renato um caro promíscuo, aventureiro e indigno do amor da Suzane, e mais cedo ou mais tarde ela iria descobrir isso. Mas o tempo se passou e nada aconteceu. Comecei a achar que meus conceitos sobre o Renato é que estavam equivocados.

Enfim a notícia: a Suzane e o Renato estavam noivos e iriam passar o final de ano na casa dos avós dele em Petrópolis. Praticamente para oficializar a união. Pude pensar como alguns momentos podem mudar não só uma vida, mas várias. Se eu tivesse ido até ela aquele dia, tivesse dito o que sentia, talvez hoje não vivesse me culpando por ser o infeliz, o cara estranho...

Ah, como queria naquela festa que a bebida que estava ingerindo fosse um copo de veneno. Certamente para mim, seria um alívio, não uma perdição, pois desde aquele dia eu não vivo bem...

6 comentários:

Anônimo disse...

pois é, cara....

lidar com mulé sempre traz emoçoes adversas, mtas vezes em situaçoes simples...

eu nao sou um poço d experiencia nesses temas, mas d uma coisa eu sei: assim como nao existem aquelas garotas perfeitas e 100% fodas com q vc sonha (e, por sinal, se "gasta"), tb nao existe só uma pra cada um d nós, ou seja, se perdeu a garota x, com o tempo vc vai skecendo e surgirao outras q podem t surpreender...

o processo d skecimento é doloroso, mas inevitavelmente recompensadador!!

abç

Anônimo disse...

Nao, nao deveria se tornar um copo de veneno, que continuasse bebida. E que o Jorge passasse a ingerir mais e mais
hehehhe

Legal a história, um tanto trágica, mas será que o melhor realmente foi o fato de Renato e a Suzane ficarem juntos? Jorge nunca saberia como seria o amor dos dois juntos. Pra piorar, o cara vive na amargura, entao nao é bom mesmo!

Amém

Lex disse...

Gabriel, interessante a sua observação, mas vamos aos fatos:

O fato do Jorge viver na amargura é justamente por ele nunca poder saber se realmente iriam dar certos juntos ou não. A felicidade do Renato e da Suzane foi causado pela omissão do Jorge, e ele se sente culpado por isso.

É mais ou menos parecido quando vc tem uma prova e deixa de estudar para ir a uma festa. Aí na hora de faze-la vc naum vai bem e fica se culpando, "se eu estudade ao invés de ir pra balada..." Agora se vc tivesse ido mal mesmo estudado bastante seu sentimento de culpa ia reduzir drasticamente.

Talvez seja essa a intenção da história. Se o Jorge tivesse reconquistado a Suzane e depois não desse certo, provavelmente ele não iria ficar chorando pelos quatro cantos. Para o alto e avante!!

Anônimo disse...

A vida é curta e rasteira. Perca um momento, ganhe mais um lamento pro resto da vida, NUNCA!

Acredito que qto menos arrependimentos criamos, mais satisfeitos seremos ao longo da vida(pense vc, quando velhinho pararia pra pensar na juventude: Oh, eu podia ter feito aquela viagem que tive medo, podia ter tentado namorar aquela menina que dispensei, poderia ter saltado de pára-quedas mas nunca tive coragem!)
Enfim...

Pra botarmos em termos técnicos ao que vc disse, é o CUSTO DE OPORTUNIDADE que temos ao longo da vida. hehehehe

Amém, sr jorge

Rog's gonna do...in 2008 ! disse...

nossaaa...

pqp ! O jorge não deve se culpar por não ter ido lá...o momento certo era ter ido la assim que viu Suzane...

porraaaa q acaso do destino...eu to aki meio p***, mas ctz ele terá boas notícias em breve...o mundo dá voltas e não tem msm pke se culpar e querer se envevenar...

a vida é bal e mto ainda está por se viver !

abraço !

Milady Serena disse...

O mundo dá voltas.. e casamento não é um definitivo, como todos sabem...

Quem sabe se não haverá parte dois, já que a pior coisa q pode se fazer num namoro é o casamento...

Enquanto isso.. bola prá frente!

xoxo