
Olho o relógio, as horas contam, passam, ecoam em tic-tacs... sim lá estou sentado no banco daquele hospital. Estou lá já não sei quantas horas. Vi o amanhecer, o entardecer, o anoitecer, o crepúsculo... já são duas da madrugada e me pergunto, naquela noite, em que todos estão dormindo, eu sentado naquele frio banco de madeira sob uma pintura branca, aguardando por uma notícia que me confortasse...
Levanto-me novamente e caminho até a cafeteria, a poucos passos dalí. Peço com uma voz soturna mais uma chavena de café à balconista. Ela me serve com o desprezo peculiar. Agradeço, achando receber uma palavra de gentileza ou conforto, mas ela não vem. Sorvo aquela bebida de olhos fechados.
Ando um pouco pelos corredores do hospital. Vejo a maternidade, com vários bebês nas incubadoras, alguns chorando, demostrando o vital sinal pela vida, e o apetite de querer fazer parte desse mundo. Caminho mais um pouco e já adentro um corredor pouco iluminado com seus quartos, todos com as portas fechadas. Um deles estava com a porta entreaberta: Uma moça no leito, que estava com seu namorado ou irmão vendo televisão e dando algumas risadas. Provavelmente ela já estava em vias de alta. Já ao fundo do corredor vejo o setor da UTI. Caminho até lá e observo alguns pacientes por trás da parede de vidro. Muitos já estavam dando suas últimas golfadas de vida por mais alguns instantes nesse desprezível planeta. Vejo uma mulher que...
- Senhor, não pode ficar aqui, disse uma enfermeira à mim.
- Desculpe, eu estava distraído, não sabia que era proibido.
Me acompanhou ela até a entrada da UTI e certificou de que já estava à uma distância segura daquele corredor mal iluminado.
Volto ao pátio do hospital e penso na vida. Deus na sua grandiosidade, nos dá todo o folego, toda a força da juventude. Achamos que podemos fazer tudo, que somos imbatíveis. Mas conforme o tempo passa, o peso dos anos vão se transparecendo e vemos que na verdade não somos nos que ditamos nossa permanência. É muito chato ver alguém querido ir perdendo a vida como a areia que escorre das mãos, e você não poder fazer nada por isso, só assistir e mais nada.
Naquele pátio que havia crianças brincando, alguns sorrisos e gargalhadas, agora estava praticamente vazio. Só o barulho do ar-condicionado central do hospital. Estava frio, mas ainda mais o meu coração.
Olho para o café na chavena, de uma cor preta intensa, tão preta quanto o meu futuro incerto... Só queria que naquele momento alguém chegasse à mim. Que me desse alguma notícia, sendo boa ou ruim. Queria poder sair dalí para rir ou chorar, mas não desejava vê-la sofrer mais em um leito de hospital. Só queria que as coisas ficassem boas para nós dois.
2 comentários:
"nao somos nós que ditamos nossa permanência", mas somos nós que ditamos o que fazemos com ela.
Hospitais sempre trazem essa sensação de impotência; o "nao poder fazer nada por isso" é o que nos faz refletir sobre nós mesmos.
Resta-nos acreditar que as coisas que nao estão bem possam ser resolvidas e que possamos realizar nossas vontades mais fortes, sempre partindo das simples para as complexas.
Até por que é isso o q nos impulsiona a seguir em frente, pelo menos até que outros nos vejam e se sintam tão impotentes quanto nós nakele momento; ja q nem eles nem nós poderemos fazer mta coisa.
abç
krak..
é sinistro msm..como o lp disse, o hospital traz sensação d impotencia, mas é akilo cara, tem q sempre pensar positivo, pois afinal, Deus sabe o q faz...
e ql foi o resultado, afinal?
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