
Estava vendo o Jornal da Band, nesses dias de carnaval, e vi uma reportagem muito interessante, de alguns embriagados que insistiam em encarar o volante de um carro.
Assisti a um grupo de jovens em que, a motorista deles estava alcoolizada e havia batido em outro carro. Por sorte, ninguém se feriu gravemente. Na hora do B.O. ela se recusou a fazer o teste do bafômetro, e intimidou a equipe de reportagem, dizendo que era "estudante de direito".
Em outro caso parecido, outra jovem, tentava aliviar a barra dela, dizendo que seu pai era delegado.
Isso infelizmente é um hábito que está enraizado na cultura brasileira. Criam-se hieraquias. Não existem mais direitos iguais. Quem é de cima pode fazer as "sujeiras" dele, que aqui só paga quem é pobre. Não é raro ver autoridades desacatando policiais que estão apenas cumprindo seu dever. Já vi muitos polícias perderem seus cargos por isso.
De todo modo, aí que germina a corrupção, palavra tão pronunciada na nossa gramática. Quando se deixa de punir alguém por conta de seu status, estamos favorecendo uma cultura que só tende a reprimir àqueles que não tem essa "pseudo"-posicão social.
Afinal a constituição diz que todos nós somos iguais perante a lei...
Vivemos em um Brasil em que uma mulher que rouba um pote de margarina mofa na cadeia, enquanto um juíz de direito, que mata um vigia no supermercado porque queria comprar bebidas (o estabelecimento já havia fechado) cumpre prisão domiciliar com uma generosa aposentadoria ou mesmo um grupo de jovens que incendeia um índio causando sua morte, têm a sua prisão relaxada e hoje vivem suas vidas como se nada tivesse acontecido. Um inclusive já se tornou servidor público (facilitado pelo pai, que é juíz de direito e homologou sua aprovação). Por mais otimista que seja, um país não pode caminhar para frente enquanto houver esse corporativismo que favorece os mais fortes e um código penal fraco e obsoleto. E que a justiça deixe de ser cega para agir com isonomia para com todos!
2 comentários:
Me veio em mente uma comparação interessante. Enquanto aki no BRA, o lema é "Você sabe com quem está falando?", nos EUA o lema é "Quem você pensa que é?".
Esse foi o tema de uma das aulas de antropologia cultural do periodo passado.
Na verdade, esse tipo de hierarquia está, no primeiro caso, presente em quase todos os países em desenvolvimento; assim como o segundo lema é claramente visível nas sociedades mais avançadas.
Isso demonstra que o problema é muito mais no âmbito cultural e de (falta de) educação do que meramente de status. A questão do status é a trademark de um problema bem maior, cujo lema "Você sabe com quem está falando?" não passa do slogan de um grande thriller de intimidações e ameaças sob a Lei do Mais Forte.
Muito bom cara. Acho bacana levantar esse tipo de assunto. É um problema nosso que já vem de muito tempo, muito mesmo. Acho até que essas raízes começaram ainda no período colonial, a superioridade da nobreza e da burguesia, e a inferioridade dos escravos.
Não é a toa que, de vez em quando, ouvimos fulano chamando outro de "burguês" ou "filho de burguês" por aí...
Você bem lembrou o caso do supermercado, fiquei revoltado quando soube. São inúmeros esses tipos de caso... Lembra da empregada espancada? Um dos pais dos moleques disse que o filho não podia ir pra cadeia, porque é estudante universitário(acho até que de Direito também)... como se isso tirasse a responsabilidade dos atos do agressor!
Mas... qual seria a solução pra isso? Investir em educação? Ajuda, mas não acho suficiente... precisamos de uma mudança estrutural enorme, daquelas que apenas um Tsunami gigante ou uma bomba atômica causariam(não quero matar ninguém não! hehehe).
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