Lú Magalhães, talento prodígio que negou contrato com gravadoras e hoje segue seu caminho independentemente, assim como muitos outros artista. De celular com seu nome à namoro com cantor quarentão, hoje ela é o primeiro grande sucesso brasileiro vindo pela internet. Hoje o mercado fonográfico vive das migalhas do que plantou no passado. São raríssimas as exceções em que se consegue fazer um artista vender mais do que 100 mil cópias. Na Warner Music, a única que consegui tal feito foi a Maria Rita, que tem em torno de 140 mil cópias vendidas. Antigamente produzir um artista que vendesse mais que um milhão de cópias era algo normal. Se tivesse 200, 300 mil cópias, nem era considerado um grande artista. Os tempos mudam...
A culpa disso tudo, sem dúvida é da pirataria. E considero que hoje em dia existam três tipos de pirataria. A primeira é a pirataria da cópia de músicas feitas entre amigos. Antigamente se usavam fitas k-7, hoje em dia usam-se CD-R ou mesmo passam-se arquivos através do pen drive. Uma facilidade que proporciona uma grande comodidade. A segunda, acredito que perdeu grande força, que é venda de CDs por ambulantes, comercializando material pirata por cerca de R$ 5. Como hoje em dia a facilidade de obter música de graça, seja por amigos ou através da internet, essa pirataria enfraqueceu bastante, tendo os camelôs optando por vender DVDs de filmes, shows, etc... acredito que com o tempo ela deixe de existir. A terceira pirataria, é a mais arrebatadora, que é a de obtenção de músicas pela internet. A facilidade de baixar um álbum completo em poucos minutos, oferece a esses internautas a possibilidade de terem quantas músicas quiserem, sem pagar nada por isso, e o melhor, sem sair de casa. Nos últimos dez anos essa pirataria cresceu de forma extradionária, já que hoje, o Brasil é um país em que a grande maioria das famílias já possuem um computador em casa.
Estava olhando a quantidade de CDs vendidos do cantor Daniel. Há dez anos atrás o cd que foi lançado dele, vendeu mais de 1 milhão de cópias. Conforme passou o tempo, a cada lançamento a quantidade de CDs vendidos diminuiu. O último cd lançado dele pela Warner Music, uma coletânea com diversos sucessos dele, vendeu um pouco mais que 5 mil cópias. Pouco para um artista de renome conhecido pelo Brasil todo. O que fazer com esse cenário de pouca perspectiva?
É claro que as gravadoras arrumam outros meios de arrecadarem seu dinheiro. Se antes era pelo cd, hoje ganham nas participações do show dos artistas, etc... O marketing da gravadora também é fundamental para o sucesso dos mesmos, tendo os contatos de todos os meios de comunicação para promover o artista.
Mas apesar disso tudo, mesmo tendo trabalhando numa gravadora, fico um pouco cético quanto o futuro das mesmas. Será que elas estão realmente tirando proveito da era digital para promover seus artistas? Hoje, mundialmente falando, existem quatro grandes gravadoras: Universal, Sony/Bmg, Emi e Warner Music. Por terem artistas no mundo inteiro, possuem uma vantagem que é a de promoverem seus grandes artistas (a maioria, norte-americana, diga-se de passagem) pelos quatro cantos do mundo. Mas hoje, como sabemos, grandes bandas têm se revelado através da internet, sem a intervenção das gravadoras, fazendo relativo sucesso. Outras músicos preferem abandonar as gravadoras e cuidar do seu próprio negócio, como Madona e Radio Head.
Podemos dizer então que a Internet será o pilar fundamental para propagar o Marketing do artista, seja através de vídeos no Youtube ou faixas exclusivas na internet. Os artistas já sabem disso e começam a fazer suas experimentações. Em um show que fui pela gravadora, tinha ido assistir a um talento prodígio. O nome dela era Lú Magalhães e fazia sua apresentação na Cinemateche,em Botafogo. Na platéia da pequena casa de show, haviam pessoas ligadas ao meio musical, entre elas, poderosos do meio fonográfico, todos querendo contratá-la. Na internet ela é sucesso. Seus vídeos reúnem milhares de visitas, todas impressionadas com o seu talento. E adivinhem com qual gravadora ela assinou contrato? Com nenhuma! Se isso fosse a uns 10 anos atrás, poderiam chamá-la de louca diante da grande oportunidade da sua vida, mas hoje faz sentido. Assim como ela não precisou da gravadora pra fazer sucesso, precisando apenas da internet e do marketing viral que prestigia os verdadeiros talentos, ela também poderá não precisar da mesma para vender seu material. Pode muito bem fazer isso através de sites especializados em vendas de música digital. Aí atingimos o outro pilar da gravadora. A venda de material deixa de ser algo estruturável, onde as gravadoras tinham os melhores espaços nas prateleiras das lojas, para agora ser mais democrático. O usuário entra em um site e procura o que quiser para comprar com apenas uma opção de busca. Outra grande estrutura parece também ter sido atingida: a parte de gravação. As gravadoras muitas vezes preferem já iniciar com um material pronto ou deixar por conta do artista a responsabilidade da gravação. Isso faz parte da contenção de despesas diante dos novos tempos.
Se hoje os artistas parecem dar pouca importância para as gravadoras, qual será o futuro delas? Talvez elas não estejam atentas ao novo paradigma que está a frente delas. Usar a internet como aliada e não como inimiga. Nesse jogo não se ganha através das leis, e sim da conscientização.
4 comentários:
Belo Post!!
Po, infelizmente, hoje não existem mais "artistas" na minha opnião. Tudo gira em torno do que ele fez na noite passada, não no que ele fez no álbum passado...
Impedir de baixar músicas, comprar CD's piratas, é im-pos-sí-vel atualmente, o jeito é fazer o q as gravadoras fazem: investir em merchand, nos shows, pois é a melhor forma do fã chegar ao artista.. de resto, vale apenas rezar..
Se não m engano, foi o Kid Vinil q falou q, no futuro, os CD's se tornariam obsoletos... no final, quem riu pro último?
Eu decidi por não passar minha opinião aqui porque vou fazer um post sobre o mesmo assunto, em breve(droga, vc foi mais rápido! hehehe). Mas, em geral eu to de acordo contigo. Trabalhar no setor comercial me fez ver muitos números em relação ao histórico de cds mesmo da warner. A queda é IMENSA e muito desanimadora!
Porém, só pra deixar um "parênteses": o mercado de cds físicos brasileiro cresceu 2 ou 3%, em 2008(ao mesmo tempo que o mercado mundial caiu uns 26% de uma vez só). Isso mostra que não dá pra tirar um mesmo parâmetro para ambos.
AMEM!
Pois é Gabriel, esse crescimento nas vendas do mercado brasileiro é um efeito interessante a ser estudado. O brasileiro está se conscientizando ou é apenas um aumento de renda que o fez adquirir bens supérfluos (cds são supérfluos, ok?!)? Se for a primeira opção, certamente o mercado fonógrafico pode conseguir dar mais alguns passos, porém acho que essa é uma linha que não segue a tendência animadora desse mercado.
Porque osnpendrives de 128bm que cabem um álbum completo de um artista não são usados para venda de mídias físicas dos artistas ?
ERA SO PERDONALIZAR e vender .
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